Desde que as máscaras se tornaram item essencial nas ações de controle e prevenção ao corona vírus, pequenos negócios do setor de confecções e malharias estão sendo demandados para a produção em larga escala desses artefatos.
É o caso da Malharia RDG, 17 anos no mercado, que será responsável pela confecção de 100 mil máscaras para atendimento de necessidades da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas), em São Luís. Para dar conta da encomenda, Maria dos Milagres Aquino, dona do negócio, vai mobilizar pelo menos 15 empresas parceiras, entre Micro Empresas (ME) e Microempreendedores individuais (MEIs).
O processo de contratação está em fase de conclusão no órgão municipal. O valor total da encomenda é de R$ 280 mil em malha 100% algodão. Cada empresa participante do rateio tem, em média, três colaboradores e capacidade de produção diária de 500 a 800 unidades. A expectativa é que cada uma produza entre 5 e 10 mil máscaras no total.
Enquanto aguardam a conclusão dos trâmites legais, as empresas já se preparam para cumprir a entrega. Com apoio de consultoria viabilizada pelo Sebrae e do Sindicato das Indústrias de Malharia e de Confecções de Roupas em Geral do Estado do Maranhão (Sindivest), estão sendo selecionados os empreendimentos que participarão da empreitada.
Essas empresas, a maioria MEI, por meio da consultoria receberão treinamento em boas práticas de fabricação e modelagem, de modo a atenderem as exigências no que se refere ao corte, padronização e acabamento. E também sobre a gestão da logística do trabalho e operação de maquinário, cedido pelo Senai, que disponibilizou 12 máquinas para o trabalho.
SUPERAÇÃO - Segundo Milagres, a encomenda vai ajudar a empresa neste momento difícil, garantindo renda para as empresas. “Eu já tinha me programado não pegar mais encomendas, levando em conta os riscos de saúde neste momento. Mas, resolvemos arriscar e, para isso, estamos trabalhando com a equipe reduzida na empresa. Somente oito, dos 23 colaboradores estão no ambiente da empresa, respeitando-se a distância e todos os cuidados com a saúde. Os demais, ficam em casa. Todo dia, distribuímos entre estes atividades de corte, preparação de viéis, montagem, acabamento, dentre outras. E, a equipe que permanece na empresa, responde pela embalagem, acabamento final e controle de qualidade”, explica a empreendedora.
“Estamos nos protegendo da melhor forma. Satisfeitos por estarmos contribuindo com um produto essencial para a proteção das pessoas, mas também com algo que vai ajudar a manter a minha empresa em operação e muitas outras que estão com dificuldades neste momento”, ressalta Milagres.
De acordo com a presidente do Sindivest, Ana Rute Nunes Mendonça, desde o início da pandemia e, particularmente, após os decretos que determinam a obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes públicos, a demanda é crescente.
Grandes e médias empresas, para atendimento de demandas internas com colaboradores e clientes, e o poder público, para distribuição à população e atendimento de funcionários e até para a rede de saúde, tem sido clientes preferenciais. Ela conta que encomendas como essa e outras articuladas pelo Sindicato, suprem uma lacuna deixada pelo adiamento dos contratos para a confecção de uniformes escolares nesta época do ano, em decorrência da suspensão das atividades escolares durante a pandemia.
“Isso está ajudando muito as empresas a continuar operando. O setor de confecções tinha se preparado para as encomendas de uniformes, que não vieram. Com as máscaras, parte dos insumos está sendo aproveitada, o que possibilita driblar a alta no custo de matéria-prima, explica Ana Rute.
Iniciativa do Sebrae abre caminho e pode ser replicada em outros municípios
A encomenda das 100 mil mascaras decorre de uma sugestão do Sebrae à Semcas. Tudo começou com uma sugestão, que veio de um cliente Sebrae atendido durante a pandemia. A proposta era pensar em alternativas e numa articulação de parcerias que possibilitassem aos segmentos de confecções e malharias uma participação mais efetiva nos processos de aquisição de máscaras e equipamentos de proteção individual.
Foi elaborado um projeto básico e que listou exemplos de boas práticas e modelos de editais e chamadas públicas para serem oferecidas como sugestão à gestão pública e então a ideia foi levada à Semcas, de onde partiu essa primeira encomenda.
Segundo Mauro Formiga, gerente de uma das unidades regionais do Sebrae, o projeto de São Luís está servindo de modelo de atuação em outras regiões do Maranhão, ampliando a iniciativa e contribuindo para gerar mercado para os pequenos negócios em todo o estado. “Com essa iniciativa, buscamos movimentar a cadeia de confecção, apoiando os empreendedores neste momento para fortalecer o caixa das empresas.”, comenta o gerente.
Em outra frente, o Sebrae formulou, por meio de oficio, sugestão ao governo do Estado no sentido de assegurar a contratação de pelos menos parte dessas demandas por máscaras e equipamentos de proteção junto aos pequenos negócios. A ideia é utilizar-se o que prevê a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (LC 123/2006), no que se refere ao tratamento diferenciado para os pequenos negócios no acesso a mercado, dentre outros aspectos.
“Essa iniciativa abre oportunidades para os segmentos de confecções e malharias em um momento muito difícil para as empresas. A criatividade e a determinação dos nossos empreendedores são ingredientes que tem ajudado muitos negócios a se manter em operação. De nossa parte, concentramos toda a rede do Sebrae para dar todo o apoio necessário neste momento, inclusive com ações propositivas como essas que culminaram com essa primeira encomenda, que certamente possibilitará o desenvolvimento de outras inciativas em parceria, com a geração de resultados de impacto para a sociedade e para os pequenos negócios do Maranhão ”, frisa o diretor Técnico do Sebrae, Mauro Borralho.
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