Caso do atacante Estêvão Willian, destaque da seleção brasileira, evidencia como problemas na coxa podem desencadear dores e instabilidade no joelho
A lesão recente de Estêvão Willian, jovem destaque da seleção brasileira, às vésperas da Copa do Mundo, trouxe à tona uma preocupação recorrente na medicina esportiva: até que ponto um problema muscular na coxa pode afetar outras articulações, como o joelho, e comprometer a mobilidade do atleta. Especialistas explicam que a relação entre essas estruturas é direta e exige atenção para evitar agravamentos.
De acordo com Theda Manetta da Cunha Suter, professora do curso de Fisioterapia da Wyden, a musculatura da coxa, especialmente o quadríceps e os isquiotibiais, desempenha papel fundamental na estabilização do joelho. “Quando há uma lesão nessa região, o corpo tende a compensar o movimento, o que pode sobrecarregar o joelho e aumentar o risco de dor, instabilidade e até novas lesões”, explica.
Segundo a especialista, esse tipo de compensação é comum em atletas de alto rendimento, que muitas vezes retornam às atividades antes da recuperação completa. “A falta de equilíbrio muscular pode alterar a biomecânica do movimento, impactando diretamente a articulação do joelho”, acrescenta.
Na mesma linha, a Dra. Gisleika Bianco, médica ortopedista e professora no IDOMED (Instituto de Educação Médica), destaca que lesões musculares na coxa não devem ser analisadas de forma isolada, especialmente em atletas de alto desempenho. “Existe uma cadeia cinética envolvida no movimento. Quando há uma disfunção na musculatura da coxa, o corpo automaticamente adapta o padrão biomecânico, o que pode gerar sobrecarga no joelho, principalmente em estruturas como ligamentos e cartilagem”, explica.
A especialista alerta que esse tipo de compensação pode evoluir para quadros mais complexos se não houver manejo adequado. “É comum observarmos, nesses casos, aumento do risco de lesões secundárias, como tendinites, condropatias ou até lesões ligamentares, justamente pela alteração na forma de correr, frear ou mudar de direção”, afirma.
Segundo a ortopedista, o acompanhamento clínico deve ir além do alívio dos sintomas. “O tratamento precisa considerar o reequilíbrio muscular, o controle neuromuscular e a reeducação do movimento. Retornos precoces, sem esses cuidados, aumentam significativamente o risco de reincidência e de lesões associadas”, completa.
Para a população em geral, o alerta também é válido. Mesmo fora do esporte profissional, dores musculares mal tratadas podem evoluir para problemas articulares mais complexos. “Qualquer desconforto persistente deve ser avaliado por um profissional de saúde. A prevenção ainda é o melhor caminho”, finaliza Theda.

Comentários
Enviar um comentário